Apartamento Esquina Pombalina

Da esquina à paisagem, 250 anos de história de um edifício Pombalino revelam-nos um rio mais próximo e o domínio de um edifício sobre a paisagem. 

O apartamento de 180m2 foi sucessivamente dividido em espaços pequenos, com apenas uma janela, criando sombra e obstruíndo a relação com o exterior. Começámos por redefinir a escala das divisões e a sua relação. Abriu-se a esquina à paisagem e ao passar da luz do dia.

Recuperou-se uma sala quadrada de esquina com 42m2, e quatro janelas que se relacionam agora com o Tejo, a Rua do Arsenal e o Largo do Corpo Santo. Se o carácter muito próprio da arquitectura pombalina marca o espaço, a intervenção não quis ser um pastiche. A delicadeza do desenho pombalino e as proporções das peças geram um novo desenho. 

A curva aparece a definir a proporção dos vãos e o detalhe dos remates. A pedra é introduzida como elemento escultórico, com ritmo e detalhe, abertura e translucidez, nos espaços de relação com a água e na marcação dos vãos da casa. Novas aberturas permitem que a luz penetre em profundidade no espaço. Agora podemos sentir a luz que entra mais fria de manhã, reflectida pelo rio e, à medida que o dia vai passando, fica mais quente, rodando pelas duas fachadas.

Procurámos que os elementos introduzidos tivessem uma relação com aquilo que deixamos para trás quando subimos as escadas, com o que vemos pela cidade. Religamos a casa à paisagem, à sua geografia.

Localização: Largo do Corpo Santo, Lisboa, Portugal | Cliente: Benoît Felix | Área: 180 m2 | Arquitectura: João Carmo Simões; Colaboração: Maria Prates | Materiais: Pedra Mármore Estremoz, Madeira de Riga, Vidro

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